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O conflito com o Irã está tendo um impacto relevante sobre as os estoques de ouro do fundo totalizavam, sendo Azerbaijão e Paquistão os exemplos mais recentes.
O conflito com o Irã está influenciando de forma expressiva as compras e vendas de ouro por parte de bancos centrais e governos, desestabilizando um dos principais fatores que sustentaram a valorização do metal ao longo dos últimos anos.
Na quinta-feira, o Fundo Estatal de Petróleo da República do Azerbaijão (SOFAZ) anunciou a suspensão das vendas de ouro no segundo trimestre de 2026. No fim de junho, as reservas de ouro do fundo totalizavam 178,1 toneladas, com o metal representando 31,4% da carteira de investimentos do SOFAZ.
O relatório do SOFAZ afirma que "como resultado do conflito entre os Estados Unidos e o Irã, iniciado no primeiro trimestre de 2026, há elevada volatilidade nos mercados financeiros e de energia globais, e a guerra afetou negativamente todas as classes de investimento. No segundo trimestre, os preços de diversos instrumentos financeiros se recuperaram e apresentaram retornos positivos, enquanto o ouro contribuiu negativamente para o desempenho geral dos ativos do fundo."
O relatório também observa que "no início do primeiro trimestre, graças a fatores estruturais, como o enfraquecimento do dólar americano e a migração dos investidores de títulos públicos e moedas para ativos reais, o preço do ouro subiu significativamente. No entanto, no fim do primeiro trimestre, os preços recuaram de forma acentuada, e essa queda continuou no segundo trimestre em meio ao aumento das taxas de juros reais."
Enquanto isso, dados divulgados pelo Banco Estatal do Paquistão (SBP) mostram que as reservas de ouro do país caíram mais de 11,4% entre maio e junho. No fim de junho, as reservas de ouro do país — incluindo depósitos em ouro e ouro adquirido por meio de operações de swap — somavam US$ 8,39 bilhões, abaixo dos US$ 9,47 bilhões registrados em maio, embora ainda 22,6% acima dos US$ 6,84 bilhões observados em junho de 2025.
As reservas totais do SBP, considerando obrigações em contratos a termo (forwards) e swaps, aumentaram para US$ 18,5 bilhões em junho, ante US$ 17,27 bilhões no mês anterior — um avanço de US$ 1,23 bilhão, ou 7,1% na comparação mensal, e de US$ 3,86 bilhões, ou 26,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O conflito com o Irã teve um impacto considerável sobre as reservas globais de ouro, especialmente nas economias emergentes, onde os elevados preços do petróleo obrigaram alguns bancos centrais e entidades estatais a reduzir as compras do metal. Outros foram forçados a vender parte de suas reservas de ouro para financiar importações de energia ou sustentar suas moedas.
Em março, o Banco Central da República da Turquia informou uma redução superior a 118 toneladas em suas reservas de ouro, em meio às dificuldades para defender a lira. Essa foi a maior queda das reservas de ouro da Turquia desde 2013. O banco afirmou que vendeu parte do ouro e transformou grande parte do restante em liquidez por meio de operações de swap; os recursos obtidos foram utilizados para comprar liras e moedas estrangeiras, com o objetivo de apoiar a economia.
A Rússia também tem sido uma importante vendedora de ouro neste ano, diante das pressões orçamentárias provocadas pelos gastos militares na Ucrânia e pelas sanções internacionais. Até 20 de julho, o Banco Central da Rússia (CBR) informou uma redução de 1,4 milhão de onças — ou 43,5 toneladas — em suas reservas de ouro desde o início do ano.
Segundo o CBR, as reservas soberanas de ouro da Rússia totalizavam 73,4 milhões de onças troy, ou 2.282 toneladas, no início de julho, com valor de mercado estimado em US$ 299 bilhões.
Este foi o sexto mês consecutivo de queda nas reservas oficiais de ouro da Rússia, e o ritmo da redução tem sido expressivo. Em abril, o CBR informou a maior diminuição de suas reservas de ouro em um período de 25 anos.