Veja também
Onde há fumaça, há fogo — e o mercado foi lembrado dessa verdade quando o Brent subiu para quase US$ 92 por barril, e os rendimentos dos Treasuries acompanharam o movimento.
As ações se juntaram aos Treasuries na onda de vendas: os temores de inflação superaram o entusiasmo em torno dos chips e da inteligência artificial. A queda atingiu a maioria das empresas do S&P 500, embora algumas histórias tenham se destacado — SanDisk avançou 8,9%, Marvell subiu 5,5% e Micron, 4,1%, após relatos de um salto de 14 vezes na receita da Anthropic no segundo trimestre. Enquanto isso, os rendimentos dos títulos de 30 anos subiram para os níveis mais altos desde 2007, e o mercado de derivativos passou a precificar uma nova onda de aperto monetário.
O Oriente Médio voltou a atrapalhar. O presidente Donald Trump indicou que não pretende prorrogar o acordo expirado com o Irã e não tem pressa para reduzir as tensões em torno do Estreito de Ormuz — uma rota por onde passa uma parcela significativa dos embarques globais de petróleo. "O petróleo precisa cair; caso contrário, as taxas permanecerão altas demais, e o S&P 500 enfrentará uma correção", alerta a Interactive Brokers.
Mas não são apenas as questões geopolíticas que pesam sobre o sentimento do mercado. As vendas no varejo da China cresceram apenas 0,6% em julho, bem abaixo das expectativas e do ritmo registrado em junho, reforçando os sinais de desaceleração da demanda global. Vale lembrar que um relatório anterior decepcionante sobre as vendas no varejo dos EUA também provocou apreensão no mercado. Ainda assim, o Goldman Sachs observa que as receitas das empresas do S&P 500 cresceram 6,4%, o melhor ritmo em cinco anos, excluindo o setor de energia. Considerando também as reavaliações das participações em startups de IA, o crescimento geral dos lucros chegou perto de 50%.
Na realidade, o mercado está equilibrado entre duas forças: petróleo em alta → expectativas de inflação mais elevadas → discurso mais rígido do Fed, de um lado, e fortes resultados corporativos alimentando o apetite global por risco, de outro. A ata da última reunião do Fed, prevista para 18 de agosto, pode ser o fator decisivo para inclinar a balança. Os investidores estão adotando uma postura de espera: faltam apenas alguns dias para o simbólico encontro dos bancos centrais em Jackson Hole, enquanto o mercado de títulos públicos já sinaliza uma preocupação crescente com a disciplina fiscal dos EUA.
O relatório de resultados da Nvidia na próxima semana pode prolongar a resiliência do setor de tecnologia ou desencadear o colapso de um castelo de cartas construído sobre expectativas. Os riscos parecem estar relativamente equilibrados, e o tempo dirá quem está certo.
Será que o mercado resistirá à pressão simultânea do petróleo, dos rendimentos dos Treasuries e da geopolítica? Ou será que os rumores de uma "aterrissagem forçada" mais uma vez se revelarão prematuros?
Tecnicamente, no gráfico diário, o S&P 500 está lutando para se manter no nível de valor justo, em 7.745 pontos. Uma recuperação permitiria aumentar as posições compradas; uma queda abaixo desse nível seria um gatilho para vendas no curto prazo.