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À medida que o petróleo árabe se esgota, os EUA recorrem, satisfeitos, ao petróleo venezuelano

À medida que o petróleo árabe se esgota, os EUA recorrem, satisfeitos, ao petróleo venezuelano

Em julho, as importações de petróleo saudita para os Estados Unidos caíram para zero. Washington não registrou nenhum embarque proveniente do reino durante um mês inteiro pela primeira vez desde 1985.

Esse mínimo histórico foi uma consequência direta do conflito entre os EUA e o Irã, que praticamente paralisou os embarques provenientes do Golfo Pérsico. No início do ano, as refinarias americanas compravam regularmente mais de 800.000 barris por dia da Arábia Saudita. Agora, com o Estreito de Ormuz fechado, os preços do petróleo bruto do Oriente Médio dispararam, obrigando as refinarias a reformular rapidamente sua logística.

As empresas americanas estão abandonando rapidamente essa rota de alto risco. O CEO da Phillips 66, Mark Lashier, afirmou que a empresa reduziu a participação do petróleo bruto do Oriente Médio em seu mix de refino para apenas 1%, substituindo-o por variedades mais leves provenientes de campos domésticos. Outros compradores tradicionais de petróleo árabe — Chevron e PBF Energy — encontram-se em situação semelhante. A ironia do mercado chegou a atingir a Motiva Enterprises, a maior refinaria do estado americano do Texas: a unidade é integralmente controlada por uma empresa estatal saudita, mas, diante da situação atual, está isolada do fornecimento de sua própria controladora.

O principal beneficiário da crise no Oriente Médio foi, inesperadamente, a Venezuela. Aproveitando o vácuo deixado pela redução da oferta, Caracas aumentou os embarques para as refinarias americanas para 600.000 barris por dia em julho, enquanto, no início do ano, esse volume mal chegava a 100.000 barris por dia.

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