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Os futuros dos índices acionários dos EUA voltaram a ficar sob pressão durante a sessão asiática — os efeitos da liquidação em Wall Street e uma nova onda de tensões entre os EUA e o Irã impulsionaram o petróleo e reacenderam os temores de inflação.
Às 09:00 EST, o cenário era o seguinte: os futuros do S&P 500 recuavam 0,4%, para 7.738,25 pontos; os futuros do Nasdaq-100 caíam 0,8%, para 29.871,75 pontos; e os futuros do Dow recuavam 0,1%, para 53.467,0 pontos. O fechamento anterior em Wall Street também foi negativo: o Dow caiu 0,5%, o S&P 500 recuou 0,5% e o Nasdaq Composite perdeu 0,3%.
O setor de energia foi o único a registrar alta hoje, avançando 0,9%, enquanto o petróleo subiu mais de US$ 2 por barril — um movimento lógico, já que preços mais altos do petróleo aumentam os lucros das empresas de energia e impulsionam suas ações.
A maioria dos demais setores ficou no vermelho, com telecomunicações e bens de consumo básicos especialmente pressionados — setores sensíveis a uma desaceleração geral da economia e à possibilidade de os consumidores apertarem os gastos.
O mercado de petróleo voltou a ficar no centro das atenções: o Brent superou o nível psicológico de US$ 91 por barril. A alta dos preços está aumentando a ansiedade dos investidores, pois o movimento parece ser impulsionado mais pela escalada geopolítica do que pelos fundamentos do mercado.
As tensões aumentaram ainda mais após um comentário de Donald Trump, que ameaçou uma ação militar contra Omã caso o país obstrua os esforços dos EUA para lidar com o Irã. Isso levanta novas questões sobre o Estreito de Ormuz — uma rota fundamental para o fluxo global de petróleo —, enquanto a mídia iraniana também informou a apreensão de um petroleiro de propriedade dos Emirados Árabes Unidos. Em conjunto, esses acontecimentos podem pressionar os preços da energia ainda mais para cima.
Uma alta nos preços do petróleo provoca um efeito dominó: o combustível fica mais caro, os custos das empresas e das famílias aumentam, e isso alimenta a inflação. Agora, os investidores estão precificando o risco de uma aceleração da inflação, o que pesa sobre os preços dos ativos.
Enquanto isso, os rendimentos dos títulos do tesouro norte-ameriano (Treasuries) dos EUA subiram: o rendimento dos títulos de 30 anos fechou em 5,31%, atingindo o nível mais alto em quase duas décadas. Rendimentos mais elevados tornam os títulos mais competitivos em relação às ações e aumentam os custos de financiamento para empresas e consumidores, o que não favorece o otimismo nos mercados.
Há importantes catalisadores no horizonte que o mercado acompanhará. Primeiro, uma semana movimentada de resultados de empresas do varejo, incluindo Walmart, Home Depot e Target, que mostrará o grau de resiliência do consumidor americano após os fracos dados de julho sobre vendas no varejo e emprego. Resultados decepcionantes dessas varejistas aumentariam as preocupações.
Segundo, a ata do Fed será divulgada na quarta-feira — todos estarão em busca de pistas sobre o debate interno a respeito dos próximos passos para a taxa dos fundos federais. Vale lembrar que, no fim de julho, o Federal Reserve manteve a taxa básica entre 3,50% e 3,75%, mas a decisão não foi unânime — três membros defenderam uma alta.
Portanto, a situação é a seguinte: a geopolítica está impulsionando os preços do petróleo, o petróleo está elevando as expectativas de inflação e os rendimentos dos títulos, e isso agora está afetando as ações e as perspectivas para a economia. Acompanharemos as empresas do varejo e a ata do Fed — esses fatores poderão definir o tom do mercado daqui para frente. Além disso, se as tensões no Golfo Pérsico continuarem latentes, é provável que a volatilidade permaneça por algum tempo.