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Como mencionado anteriormente, o principal catalisador foi a nova escalada do conflito ocorrida durante o fim de semana. Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM), as forças norte-americanas realizaram a quarta rodada de ataques da semana em resposta a um ataque contra um navio porta-contêineres.
A situação envolvendo o Estreito de Ormuz continua extremamente complexa. O Irã afirmou que a hidrovia permanecerá fechada até novo aviso, enquanto os Estados Unidos contestam essa versão. Essa incerteza, por si só, aumenta o nervosismo dos mercados mais do que notícias claramente negativas, já que os investidores precisam precificar simultaneamente ambos os cenários.
A lógica por trás da pressão sobre o ouro permanece a mesma e já é conhecida de episódios anteriores de escalada das tensões. Para os investidores, o agravamento do conflito aumenta as preocupações de que o Federal Reserve (Fed) possa ser obrigado a manter as taxas de juros elevadas por mais tempo para conter uma inflação persistente.
A ata da reunião de junho do Fed já indicava que vários membros do comitê viam motivos para elevar as taxas de juros, embora, ao final, tenham apoiado a decisão de mantê-las inalteradas. De forma mais ampla, o documento mostrou que as preocupações da liderança do Fed com a inflação aumentaram, enquanto os receios em relação ao mercado de trabalho diminuíram parcialmente.
Juros mais elevados costumam representar um fator negativo para metais preciosos, como o ouro, que não oferecem rendimento.
O cenário técnico e cambial também continua pressionando o metal. Os rendimentos dos Treasuries de dois anos, mais sensíveis às expectativas para a política monetária, atingiram o maior nível desde fevereiro de 2025, enquanto o índice do dólar (DXY) avançou, tornando os metais cotados em dólar mais caros para a maioria dos compradores.
A magnitude das mudanças observadas no mercado de ouro desde o início da guerra reforça a profundidade da correção. Desde o fim de fevereiro, o metal acumula queda superior a 20%, e a onda de realização de lucros encerrou um ciclo de alta que durava três anos, levando recentemente o ouro a cair, ainda que brevemente, abaixo de US$ 4.000 pela primeira vez desde novembro. A pressão atual volta a colocar esse nível em evidência.
Do ponto de vista técnico, os compradores precisam recuperar a resistência mais próxima, em US$ 4.062. Um rompimento desse nível abriria espaço para um avanço em direção a US$ 4.124, acima do qual a resistência tende a ser ainda mais difícil de superar. O alvo mais distante dos compradores está localizado na região de US$ 4.186.
Em caso de continuidade da queda, os vendedores tentarão assumir o controle da região de US$ 4.008. Se conseguirem romper esse suporte, isso representará um golpe importante para os compradores e poderá levar o ouro até US$ 3.954, com possibilidade de extensão do movimento até US$ 3.914.