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13.07.2026 05:29 PM
Bitcoin sob fogo cruzado

Um sistema entra em colapso em seu ponto mais fraco. O Bitcoin vinha se mantendo há muito tempo acima da média móvel de 200 semanas — um limiar que os analistas técnicos tradicionalmente associam à entrada do mercado em uma fase prolongada de baixa. A nova rodada de hostilidades entre os EUA e o Irã revelou-se a pressão que o nível de suporte não conseguiu suportar.

A evolução do Bitcoin na média móvel de 200 dias

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No início da semana, em 17 de junho, o par BTC/USD despencou mais de 2% durante a sessão asiática, recuando abaixo desse nível técnico. O gatilho foram novos ataques com mísseis dos Estados Unidos contra o Irã no fim de semana — uma continuação do ciclo de ataques e contra-ataques que, lamentavelmente, já se tornou a norma na região. Como de costume, as partes divergem quanto ao status do Estreito de Hormuz, sem consenso sobre se a hidrovia permanece aberta à navegação. O Brent reagiu de forma imediata, ultrapassando US$ 79 por barril.

A alta dos preços do petróleo reacende os temores de aceleração da inflação nos Estados Unidos e de aumento dos custos de financiamento, o que tradicionalmente penaliza ativos de risco que não oferecem rendimento. O Bitcoin não é exceção. Nesta semana, os mercados acompanharão a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos EUA referente a junho e o depoimento do presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, perante o Congresso. Um CPI acima do esperado reforçaria as expectativas de aperto da política monetária até o fim do ano e pressionaria o ativo digital. Em contrapartida, um resultado mais fraco corroboraria as declarações anteriores de Warsh sobre o arrefecimento das pressões inflacionárias e daria algum alívio aos compradores de BTC/USD.

O quadro, porém, não é totalmente desfavorável. Na semana passada, os ETFs spot de Bitcoin registraram uma entrada líquida de US$ 197,4 milhões, a primeira em nove semanas. O contraste é marcante: em junho, mais de US$ 4,5 bilhões saíram desses fundos — o pior resultado mensal desde seu lançamento, no início de 2024. Na prática, o Bitcoin ainda é negociado mais de 50% abaixo do pico registrado em outubro, acima de US$ 126.000.

Há, no entanto, motivos para um otimismo cauteloso. O índice de risco da Glassnode caiu para 0,56 na semana encerrada em 10 de julho, ante 1,0 no início do mês — o que a empresa descreveu como "um sinal concreto de redução do risco". O mercado também absorveu com relativa tranquilidade a venda de US$ 216 milhões em Bitcoin pela Strategy, de Michael Saylor — uma reação bastante diferente da observada um mês antes, quando a primeira venda realizada pela empresa desde 2022 fez o BTC/USD despencar.

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O paradoxo é evidente: a geopolítica e a alta do petróleo pressionam o Bitcoin, enquanto sinais estruturais sugerem que o pânico pode estar perdendo força. Qual dessas forças prevalecerá dependerá da reação do mercado aos dados de inflação e do tom adotado pelo novo presidente do Federal Reserve (Fed).

Do ponto de vista técnico, no gráfico diário, o par BTC/USD está retornando a níveis-chave de suporte, como as médias móveis e o valor justo (fair value). Um repique a partir de US$ 62.600 voltaria a abrir espaço para compras de Bitcoin. Em contrapartida, um rompimento decisivo desse importante suporte representaria um sinal para abertura de posições de vendas.

Marek Petkovich,
Analytical expert of InstaTrade
© 2007-2026

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